ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL INFANTIL NO TERRITÓRIO ESCOLAR: CARTOGRAFIAS INICIAIS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.32813/2179-1120.2020.v13.n1.a572

Palavras-chave:

Educação, Relações de Gênero, Violência sexual infantil, Cartografia, Revisão sistemática,

Resumo

Ao considerar o território escolar como lócus no qual e a partir do qual é possível traçar estratégias de enfrentamento à violência sexual infantil, o presente artigo realiza cartografia inicial de pesquisas que tematizem essa questão que se apresenta como um desafio para sociedade brasileira, e nos remetem ao quão cruciais são as discussões de gênero e sexualidade na educação e, consequentemente, na escola. Deste modo, a partir da perspectiva da equidade de gênero e das pedagogias feministas e, ao adotar o método cartográfico, o presente artigo resulta de levantamento bibliográfico nos portais de busca da CAPES e da BDTD, num recorte temporal de 2007-2018, acerca da temática do enfrentamento da violência sexual infantil, no contexto educacional brasileiro, com ênfase na revisão sistemática. Os principais resultados cartografados apontam que, no geral o tema tem sido pesquisador por distintas áreas, tendo ainda no campo educacional um número reduzido. Na Bahia encontramos apenas uma pesquisa nos programas de mestrado em educação. Raros também são os trabalhos produzidos nos demais estados da região Nordeste. A maioria é oriunda dos Programas das regiões Sul e Sudeste, haja vista a concentração da maioria dos Programas de Pós-Graduação do Brasil nestas regiões.  A partir destas cartografias iniciais, o estudo ganha novos delineamentos, e se potencializa, apontando lacunas que ainda existem nas produções científicas que vem sendo produzidas nesta linha temática, especificamente no campo da educação. 

Biografia do Autor

Laís Oliveira Abreu, Universidade do Estado da Bahia

Mestranda em Educação e Diversidade na Universidade do Estado da Bahia - UNEB, turma 2018.2, campus Jacobina, na linha de pesquisa 01- Educação, Linguagens e Identidades. Possui graduação em Direito pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (PB) (2010). Pós-Graduada em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça - Especialização, curso de formação oferecido pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher (NEIM), da Universidade Federal da Bahia, em convênio com o Ministério da Educação e Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (MEC/SECADI), através da Universidade Aberta do Brasil/UFBA. É membro do Grupo de Pesquisa DIFEBA - Diversidade, Formação, Educação Básica e Discursos e do GEAD - Grupo de estudos em Análise de Discurso, da Universidade do Estado da Bahia, campus Jacobina. 

Ana Lúcia Gomes da Silva, Universidade do Estado da Bahia-UNEB

Professora titular da Universidade do Estado da Bahia- Uneb, do Departamento de Ciências Humanas – DCH IV- Jacobina - BA. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação e Diversidade (PPED) e do Curso de Letras Vernáculas. Pós-doutora em Educação pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e doutora em Educação pela UFBA. Líder do Grupo de Pesquisa Diversidade, Formação, Educação Básica e Discursos (DIFEBA) e pesquisadora do grupo Docência, Narrativas e Diversidade – DIVERSO, ambos da Uneb. Orientadora de bolsistas de Iniciação Científica (IC), CAPES/CNPq e FAPESB, da pesquisa Profissão docente na educação básica do Piemonte da Diamantina: formação, contextos de diversidade e práticas pedagógicas.

   

Daniela Auad, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG

Daniela Auad formou-se na Graduação, no Mestrado e no Doutorado pela Universidade de São Paulo, na Faculdade de Educação (FEUSP). Atualmente, é Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (FACED/UFJF), na linha Trabalho, Estado e Movimentos Sociais. Na Graduação, é responsável por disciplinas da área de Sociologia da Educação; Feminismos, Gênero e Interseccionalidades; Estado, Sociedade e Educação; Relações de Gênero e Educação, em perspectiva feminista. Concluiu pós-doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Campinas (UNICAMP) em 2008. Na Universidade de São Paulo (USP), realizou Doutorado em Sociologia da Educação (2004), Mestrado em História e Filosofia da Educação (1998) e Graduação em Pedagogia (1995). Na Iniciação Científica, no Mestrado e no Doutorado, foi contemplada com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Realizou, durante o Doutorado, estágio de pesquisa em Paris, no Instituto de Pesquisa em Ciências Contemporâneas (IRESCO), associado ao CNRS e à Universidade Paris 8. Atuou como assessora técnica da Coordenadoria Especial da Mulher do Município de São Paulo e foi, no âmbito desta função, coordenadora do primeiro Curso de Gênero para Educadores da Rede Municipal da Cidade de São Paulo (2004). É autora dos livros Feminismo: que história é essa? (DP&A, 2003), Educar Meninas e Meninos: relações de gênero na escola (Contexto, 2006), Gênero e Políticas Públicas: avanços e desafios (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres & UCDB/MS, 2008); O Professor e a Professora diante das Relações de Gênero na Educação Física Escolar (Cortez, 2012). Pesquisadora da Cátedra da Unesco, cujo tema é Diversidade Cultural, Gênero e Fronteira, lotada na Universidade Federal da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul. E, no Observatório de Gênero do Governo do Estado de Minas Gerais, é representante da Universidade Federal de Juiz de Fora. É líder e fundadora, ao lado da Profa. Dra. Cláudia Regina Lahni, do Flores Raras: Educação, Comunicação e Feminismos, Grupo de Estudos e Pesquisas que, tanto na Universidade quanto no âmbito de variados Movimentos Sociais, desenvolve atividades de docência, pesquisa, extensão, debate, ocupação, resistência e transformação. Foi, em 2017 e 2018, Conselheira do Conselho Estadual da Mulher de Minas Gerais, na vaga de Notório Saber, e representante no Observatório da Igualdade de Gênero e Interseccionalidades do Governo do Estado de Minas Gerais.

Referências

ARRUDA, Jalusa Silva de. Defesa e Responsabilização: a prática do CEDECA-BA. In: Viva Maria! Viva João! Construindo estratégias para o enfrentamento à exploração sexual. ARRUDA, Jalusa Silva de; SANTOS, Sandra (orgs.). 2009. Salvador: CEDECA, 2009.

BARROS, Laura Pozzana de; KASTRUP, Virgínia. Cartografar é acompanhar processos. p. 52-75. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA Liliana da. (orgs). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de vigilância em saúde. Boletim epidemiológico. Análise epidemiológica da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, 2011 a 2017. v. 47, n.27, jun. 2018. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/junho/25/2018-024.pdf>. Acesso: 03, jul., 2019.

BRAUN, Susana. A violência sexual infantil na família: do silêncio à revelação do segredo. Porto Alegre: AGE, 2002.

CARDOSO, Cláudia Pons; SILVA, Zuleide Paiva da. Pedagogias feministas no combate ao racismo e às desigualdades de gênero: uma abordagem perspectivista. P. 55-68. In Gênero e diversidades na gestão educacional / Ana Alice Alcantara Costa, Alexnaldo Teixeira Rodrigues, Elizete Silva Passos (orgs). UFBA-NEIM: Salvador, 2011.

COSTA, Váldina Gonçalves da; SILVA, Ana Lúcia Gomes da e PEREIRA, Diego Carlos. Formação de professores/as pesquisadores/as: contribuições e implicações do método cartográfico para as pesquisas em educação. RECC, Canoas, v. 23, n. 2, p. 13-27, jul. 2018. Disponível em: <http://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Educacao>. Acesso em: 20, set, 2018.

GALVÃO, Taís Freire; PEREIRA, Mauricio Gomes. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 23, p. 183-184, 2014. Disponível em:< https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S2237-96222014000100183&script=sci_arttext&tlng=es>. Acesso em: 04, out., 2018.

GAMBOA, Silvio Sánchez. Pesquisa em educação: métodos e epistemologias. 2 ed. Chapecó: Argus, 2012

GARCIA, Maria Fernanda. Observatório do terceiro setor. 51% das crianças abusadas sexualmente no Brasil têm de 1 a 5 anos. fev., 2019. Disponível em:< https://observatorio3setor.org.br/noticias/51-das-criancas-abusadas-sexualmente-no-brasil-tem-de-1-a-5-anos/>. Acesso: 03, jul., 2019.

GHEDIN, Evandro; FRANCO, Maria Amélia Santoro. Questões de Método na Construção da Pesquisa em Educação. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

SOUZA, Pedro de. Agenciar. p. 29-31. In Pesquisar na diferença: um abecedário. FONSECA, Tania Maria Galli; NASCIMENTO, Maria Lívia do, MARASCHIN, Cleci (orgs.). Porto Alegre: Sulina, 2015.

MEYER, Dagmar Estermann; PARAÍSO, Marlucy Alves (orgs.). Metodologias de Pesquisas Pós-críticas em Educação. 2 ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2014.

MC, Mancini; RF, Sampaio. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Revista brasileira de fisioterapia, v. 11, n. 1, p. 83-89, 2007. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbfis/v11n1/12.pdf> Acesso em: 04, out., 2018.

PIZZANI, Luciana et al. A arte da pesquisa bibliográfica na busca do conhecimento. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 10, n. 1, p. 53-66, 2012.

ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. A cartografia e a relação pesquisa e vida. Psicologia & Sociedade, v. 21, n. 2, p. 166-173, 2009.

SILVA, Ana Lúcia Gomes da; SILVA, Zuleide Paiva; VIEIRA, Lucília Lima. In: SILVA, Ana Lúcia Gomes da; SILVA, Jerônimo Jorge Cavalcante; RODRIGUEZ, Victor Amar. (orgs) Bibliotecas itinerantes: livros libertos, leitura e empoderamento. Salvador: EDUFBA, 2018 , 312 p.

SANTOS, José Jackson Reis dos. Sobre saberes construídos com base nas práticas pedagógicas: reflexões introdutórias. In. RAMALHO, Betânia Leite; NUNES, Claudio Pinto; CRUSOÉ, Nilma Margarida de Castro. Formação para a docência profissional–saberes e práticas pedagógicas. (org.). Brasília: Liber Livro, 2014.

SANTOS, Ismael. Experiências adversas na infância: consequências neuropsicológicas em crianças vítimas de violência sexual. Ebook. 2018.

SILVA, Ana Lúcia Gomes da; SÁ, Maria Auxiliadora Ávila dos Santos; NUNES, Jacy Bandeira Almeida. Pesquisa nos Mestrados Profissionais em Educação. Interação - Revista de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 20, n. 2, p. 143 - 161, 11 mar. 2019.

SPAZIANI, Raquel Baptista; MAIA, Ana Cláudia Bortolozzi. Educação para a sexualidade e prevenção da violência sexual na infância: concepções de professoras. Revista Psicopedagogia, v. 32, n. 97, p. 61-71, 2015.

Downloads

Publicado

2020-04-30